Apagão se repete e deixa mais de 60 milhões de pessoas no escuro. Qual será nosso futuro?

Todos nós sabemos da importância que a energia elétrica exerce em nossas vidas. A mesma energia que salva vidas, ajuda a movimentar a economia de uma nação. É ela a principal matéria-prima que faz movimentar a indústria e o comércio, em um mundo obcecado pelo consumo.

Hoje em dia, o crescimento econômico de um país depende da quantidade de energia que ele pode produzir, para gerar riquezas e se desenvolver. Tanto que as grandes nações estão cada vez mais empenhadas na busca de energias limpas e renováveis, além de se moldarem às questões climáticas.

No nosso dia-a-dia, só percebemos a falta que ela nos faz, quando apertamos o interruptor de nossas casas e nos damos conta de que estamos no escuro. Aí o bicho pega! Foi mais ou menos o que aconteceu, por volta das 22h30 de terça-feira (10/11/2009), quando de repente a luz acabou e deixou 60 milhões de pessoas e 18 estados total e parcialmente às escuras, incluindo parte do Paraguai, devido à paralisação total da usina de Itaipú, que abastece grande parte dos estados brasileiros, por meio de sua rede de transmissão interligada.

Segundo informações do governo, tudo foi causado por uma queda de raios que acabou atingindo as linhas de transmissão, localizadas em Itaberá, cidadezinha localizada no interior de São Paulo. Bairros inteiros ficaram desligados, numa só penumbra.

O fato é que quem estava em casa, teve sorte e foi dormir mais cedo. Já quem estava na rua, teve que enfrentar o caos generalizado que esse efeito provoca. Hospitais, escolas, metrôs, trens, etc… tudo ficou desligado. Somente por volta das cinco horas da manhã, a energia começou a se normalizar e a vida voltou ao normal. Será? Essa é a grande pergunta que iremos fazer daqui para frente, pois já passamos por uma situação semelhante em 11 de março de 1999, há 10 anos atrás. Quem nos garante que essa foi a última vez?

O interessante nessa história é que, além do apagão de 1999, também tivemos o racionamento de energia em 2001, imposto pelo governo, devido ao fato de os níveis dos reservatórios estarem muito baixos, o que impedia a geração de energia por parte das usinas hidrelétricas. Tivemos que economizar na ordem de 20%.

O então presidente da república, Fernando Henrique Cardoso, criou até um comitê para gerenciar a crise, e não nos esqueçamos que também criou o famoso “Seguro Apagão”, que tinha o objetivo de assegurar investimentos no setor elétrico, de modo que acabasse de uma vez o medo de se ficar às escuras. Você acreditou? O pior é que estamos pagando o tal seguro até hoje, incluso na conta de energia de cada cidadão brasileiro.

Mas o problema não é só o que pagamos, mas sim o que fizeram com o nosso dinheiro e onde ele foi aplicado. Sabemos que para termos energia com qualidade e confiabilidade, dependemos do grau de investimento que o governo faz em geração, transmissão e distribuição de energia elétrica.

Deveríamos ter aprendido com os erros do passado e corrigido essa rota de colisão. Com certeza nos últimos anos, poucos recursos foram efetivamente aplicados, deixando o sistema elétrico totalmente vulnerável. Muitos especialistas afirmam, que faltam investimentos e gerenciamento. Outros vão mais além e sugerem uma descentralização do parque energético, com a construção de novas pequenas usinas geradoras de energia, utilizando inclusive o bagaço da cana-de-açúcar como combustível.

Tudo isso para que numa situação emergencial, não fiquemos reféns de uma única usina (Itaipú), que sozinha abastece 20% do consumo nacional. A verdade que não foi dita até agora, é que embora se tente amenizar as causas do problema, principalmente da parte do governo, se não forem feitos os investimentos necessários e um melhor gerenciamento do setor, corremos o risco de daqui para frente os apagões se tornarem freqüentes.

Pois se também é verdade que, como diz o presidente Lula, “o Brasil deverá crescer robustamente nos próximos anos”, então nunca na história desse país iremos precisar tanto de um setor elétrico robusto e confiável, do tamanho e grandeza que merecemos. Mas não se esqueçam que tudo só depende daqueles que governam e de nosso poder de fiscalização. Portanto, vamos exercitar nosso direito da cobrança e boa sorte.

Por: Carlos Eduardo Sarinho Soares é bacharel em jornalismo pela FIAM e pós-graduado em Política e Relações Internacionais pela FESPSP. Atuou durante 14 anos na assessoria de imprensa da Eletropaulo e atualmente presta consultoria na área de energia elétrica .

Fonte: http://www.revistalumiere.com.br

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